Portugal e a Europa – 19 de Julho – Auditório da CulturGest

A 19 de Julho na Culturgest vamos falar do futuro da Europa. No espaço de três décadas, entre 1914 e 1945, as nações da Europa conseguiram o triste feito de, por duas vezes, se autodestruírem, e com uma intensidade nunca antes vista. O balanço final desta loucura humana traduziu-se em dezenas de milhões de mortos e na devastação de cidades e infraestruturas que eram o orgulho do génio humano. A reacção ao estado de guerra permanente acabaria por surgir a partir dos anos 50, graças às iniciativas políticas de Jean Monnet e de outros. O sentimento geralmente aceite da primazia nacional, deu lugar, pouco a pouco, ao entendimento sobre problemas que afinal eram comuns às diferentes nacionalidades. O processo de integração europeia tem sido um caminho difícil e tortuoso, em que as recentes crises actuaram, afortunadamente, como despertadores face ao perigo. E se a crise do euro em 2011 revelou ainda uma Europa incompetente e vítima de preconceitos nacionais, o Covid e a invasão da Ucrânia pela Rússia demonstraram à saciedade a utilidade da união. No entanto os riscos de insucesso e de implosão subsistem. Temos consciência de que a humanidade é uma realidade instável, cujas fraquezas, ao contrário do que acontece em ditaduras, são bem perceptíveis em democracia. O sucesso do projecto europeu devolveu à Europa a relevância económica global, mas não a militar. Hoje, os reequilíbrios das superpotências militares os desafios do clima e das migrações e o populismo alimentado pelos inimigos da democracia e da força europeia, fazem-nos duvidar sobre o futuro. Será que não temos direito à esperança? Será que afinal caminhamos para o empobrecimento e para o caos? ORADORES DIA 19 DE JULHO Pascal Lamy é diplomado das mais distintas escolas francesas, o HEC, Sciences Po e por fim a ENA. Chefe do Gabinete do Presidente Delors, foi testemunha e actor de profundas transformações na Europa. Foi depois Comissário Europeu para o Comércio e a seguir Director Geral da Organização Mundial do Comércio, onde supervisionou a entrada da China para este organismo internacional. É um grande privilégio ter Pascal Lamy connosco, que na sua agenda muito sobrecarregada, marcada por passagens continuas nos aeroportos dos quatro continentes, encontrou espaço para vir até Lisboa. Vítor Bento, um dos mais brilhantes economistas portugueses, acrescentará aos desafios da Europa a perspectiva dos países de pequena e média dimensão (apesar da sua imensa História). Com uma brilhante carreira no mundo da finança, na perspectiva do Estado, mas também dos Bancos e de outros operadores financeiros, o Dr. Vítor Bento é autor de algumas das mais desassombradas análises sobre as nossas preocupações como País.